Letra do Enredo 2014

carnaval-2014

Verdes olhos sobre o mar, no caminho: Maricá

A estação que inspira é o verão…

Nas primeiras horas de uma manhã de sol, ela desperta depois do que havia programado. O corpo ainda se sente envolvido pelo ócio da noite anterior.

Apressadamente, aproxima-se da janela e vislumbra as primeiras nuances luminosas do despertar de um novo dia. O brilho invade o ambiente outrora escuro pela noite e a claridade reflete na retina de seus olhos verdes. É a vida dando ao destino nova chance de refazer o fim da história. Quem sabe, nova fase, cantada em outro tom.

O sol aquece seu corpo na varanda da casa. Ela se dirige ao piano e algumas notas ecoam. No bloco de folha branca inicia o seguinte rascunho:

“Verdes olhos sobre o mar, a brisa a me levar nas asas do tempo! Doce é este lugar, onde o chão guarda suas memórias
E a fé multiplica-se nas águas!
No firmamento a benção de teu “amparo”
Nos livros, páginas passadas que falam de sua história…”

O vento soprou mais forte e fez com que os cabelos se tornassem empecilho para os olhos. O som do piano cessou, o pensamento foi longe, e ela reacendeu a inspiração dos versos:

“Confesso que nem tudo vi!
Quando sua beleza fascinou o inglês pela manhã, tudo era verde e eu não estava lá!
Do seio de fertilidade da mata, do zum-zum-zum dos seres que lhe encantaram
Da visão noturna do que há pouco era dia, herdei as noites “negras” Tornei-me dona das estrelas que emolduravam o céu que foi dele…”

Ainda é manhã e sobre o mar o “barquinho” risca o horizonte. Ela cessa novamente o som do piano e instaura um demorado silêncio. Seus olhos verdes, são mais verdes quando fitam o mar. O canto do sabiá rompe a ausência do som. Ela retoma os versos:

“Ai quem me dera ver tudo
Lançar-me no passado
Correr em tuas plantações verdes, provar de tua laranja mais doce Faze-la outra vez cidade que já foi terra de muitos
Que Darwin passou, que o trem prosperou
Hoje meu verso é em tua homenagem, é canção para um samba que em mim é sempre carnaval…”

O vento continuou soprando em seus ouvidos a inspiração para compor:

“A praia o terno convite:
O sol, as ondas, o banho de mar e o surfista solitário que corta as ondas como quem borda no Espraiado
No Barquinho corro o mundo, volto e olho: não consigo me acostumar
Não ando só na imensidão
Daqui ou de qualquer lugar, só fui feliz em Maricá.”

As linhas estavam no papel encontrado entre a casa e o mar. Como assinatura lia-se um “M” maiúsculo, seguido de um “A” emendado em um “Y” um “S” e encerrado com um “A”. No fim da folha encontrada, lia-se: MAYSA.

Leandro Vieira e Roberto Vilaronga
Carnavalesco: Fábio Ricardo

Autores: Deré, Robson Moratelli, Rafael Ribeiro, Hugo e Toni Vietnã

O mar quando quebra na areia

Desliza na beira da praia

Ao som do piano, poesia no papel

Maysa compondo, estrela no céu

Vem ver que foi o índio quem admirou

A imensidão da beleza local

Primeiro habitante, inocente brincou

Nas ondas brancas do seu litoral

Joga a rede pescador, quero ver multiplicar

Joga a rede pescador, o milagre vem de lá

Do amparo à devoção, minha fé se revigora

Na proteção de Nossa Senhora

O meu lugar, seu nome da terra brotou… Maricá

Do naturalista surge um novo olhar

A claridade, a negra visão

A fauna e flora… A evolução

Nos trilhos do progresso um novo ideal

À riqueza do meu chão… Uma doce canção

O sol que bronzeia a morena

Revela em seus olhos o brilho do mar

Deixei o vento me levar

No meu barquinho pelo mundo a navegar

Vou daqui, vou pra lá, vou sambando com você

Grande Rio vai passar… O couro vai comer!

Eu sou feliz em Maricá, sou emoção

Canta meu povo, bate forte coracão!